terça-feira, agosto 30, 2016

se eu pudesse chegar até ti, se me pudesses ler, se pudesse colocar em palavras ditas aquilo que acho, que sinto, seria assim:

"acho que... não queres nada. Queres aquilo que sabemos. Ou talvez nem mesmo isso. Mas todo o galanço protocolar te aborrece de morte. Imagino-te a dizer "que chatice... não tenho tempo para isto!". Imagino-te até a rir depois das despedidas. A rir e a pensar "é mesmo tótó, coitadinha. E está de quatro". que p*** estúpida que eu sou: acreditar que alguém iria sentir algo por mim... porquê? só porque tens um blog? porque fazes umas merdinhas com as palavras?
sei que não queres nada. queres saber que há alguém que espera por ti, alguém que pensa em ti, mas é só; ou seja, queres o ego bajulado.
às vezes parece que aquilo que sinto por ti me vai saltar pelo peito fora, mas compreendo que seja unilateral. Tinha tanto para te dar."

quinta-feira, agosto 18, 2016

 
para quem não sabe, a I-D é uma revista de moda, música, cultura, etc em que na capa há sempre alguém com um olho tapado


vi este filme em 2002, mais ou menos. nessa altura ia ao cinema todas as semanas. vi naquela sala o "Irreversível" (lembro-me que à medida que a violência ia aumentando, eu ia descendo na cadeira), o "Habla con Ella", o "Dancer in the Dark", "A Pianista" (que foi para mim uma revelação) e este "Intervenção Divina". Lembro-me bem de quando vi esta cena: transpirei! Tem sexo, sem aquilo que é conotado com sexo.  
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olá professor
 
Desculpe mas só agora vi o seu comentário. Pois olhe, não sabia desse urinol portátil. Isso de prático não devia ter nada, mas quer dizer... aquelas roupas também não eram práticas: fosse para fazer xixi onde fosse, aquilo não era prático.
Mas sabia da história acerca do xixi em pé. Lembro-me aliás de estarmos os dois em Santa Catarina - não me lembro a que propósito - frente à montra de um oculista que tinha em exposição, para além de óculos, umas figurinhas típicas. uma delas era uma camponesa com um balde de leite junto aos pés e por causa disso começámos a falar das mulheres que faziam xixi em pé e sugerimos mesmo que aquele leite tivesse um aroma especial...
Até breve!

quarta-feira, agosto 17, 2016

- original soundtrack -

porque a chuva torna tudo melhor (excepto as férias de Verão, claro)
- ars longa, vita brevis -
hipócrates

"queria ser uma mosca"

olá a todos, tudo bem? óptimo, ainda bem!
não, não queria ser uma mosca: as moscas são irritantes e muito sujas. mas quando ouço essa expressão ("ah, como queria ser uma mosquinha"), penso logo: se fosse uma mosca onde é que eu iria? procurar cócó, calculo; irritar alguém colocando-me no ecrã da televisão; ouvir alguma conversa interessante. mas de quem? as coisas mais interessantes a gente não diz a ninguém, certo? ou então ver uma pessoa na intimidade com todas as atitudes mais boçais que podemos imaginar. mas quem? a verdade é que quando confrontada com esta possibilidade (se de facto fosse uma possibilidade), não conseguia dar uma resposta. é como responder a algumas questões dos questionários de Verão: "com quem iria para uma ilha deserta?"; "se o mundo acabasse amanhã, o que é que faria hoje?" (esta eu sei responder...). talvez, enquanto mosca fosse para a montra de uma pastelaria admirar o chantilly e sonhar com fruta podre.
esta conversa das moscas tem um propósito. há uns anos fiz um post sobre moscas em obras de arte. o post em questão está aqui. Entretanto encontrei mais moscas que talvez desejem conhecer. Tenho para mim que as moscas surgem aqui por virtuosismo, já que não fazem parte da temática das obras em questão. Não apresento portanto naturezas-mortas onde a mosca faria sentido, mas antes obras de carácter religioso ou mitológico (não sei se não estou a dizer uma grande asneira: religioso e mitológico não são exactamente coisas diferentes. o paganismo que defendia a existência e crença em seres mitológicos, tem uma série de práticas religiosas.) É verdade que a mosca surge na Bíblia conotada com o diabo, mas não me parece que seja o caso. Para mim era só virtuosismo.


































Pietro di Cosimo
Venus, Mars and Cupid
1490
Gemaldegalerie, Berlim








































Carlo Crivelli
Saint Catherine
1491-1494
National Gallery, Londres













































Niccolo di Maestro Antonio
Virgin and Child
1486
Minneapolis Institute of Arts, EUA
 




















Giorgio Schiavone
Virgin and Child with angels
1459-1460
Walter Arts Museum, EUA
 








 
- não vai mais vinho para essa mesa -

[conversa com o patrão]
- já lhe disse que tem uns lábios lindos?
- ... sim... várias vezes. sabe que o Balzac dizia que toda a mulher tem a sua perfeição.
- sabia. e o Herodes o que é que dizia?
- hã...?!
- o carteiro -

e o Homem criou Deus... (XXI)
Como podemos ver, até pelo último “e o Homem criou Deus”, o Papa já não era a autoridade suprema na Europa. Em meados do século XVI o Luteranismo, o Calvinismo e o Anglicanismo tornaram-se a religião de grande parte da Europa Central e do Norte. O protestantismo estava de tal forma em ascensão que até se dizia que em 50 anos suplantaria o Cristianismo. No entanto não foi isso que aconteceu.
 
Em Espanha, em Pamplona, trava-se por essa altura uma batalha simples - e muito comum em qualquer parte da Europa - por território. Esta contenda parece não ter qualquer influência na evolução do cristianismo. É uma batalha como outra qualquer na qual são disparadas balas de canhão. Uma dessas balas atinge a perna de um soldado acabando assim com os seus sonhos de grandeza militar. O nome desse soldado era Inácio de Loiola. Ao longo de uma convalescença longa e dolorosa, as únicas leituras que dão algum alívio a Inácio são as espirituais. Elas inspiram-no a ser um soldado novamente, mas desta vez ao serviço da Virgem Maria. Já com 30 anos (o que naquela altura era muito), Loiola aplica a mesma paixão que tinha pela e na guerra, ao estudo religioso. O seu objectivo é viver na Terra Santa. De facto em 1522 parte para lá, fazendo uma pausa em Barcelona. Segundo a lenda, uma vez em Barcelona Loiola ajoelha-se durante toda a noite junto ao altar de Nossa Senhora de Montserrate e deixa ali a sua espada e todas as suas roupas de combate. Adopta antes um traje modesto e durante os 10 anos seguintes dedica-se à meditação, chegando mesmo a escrever os seus "Exercícios Espirituais", um livro feito para ajudar as pessoas a descobrir o seu papel no mundo de Deus. A tónica de Loiola no indivíduo parece estar em linha com o pensamento da Reforma Protestante, embora Loiola seja completamente católico. Loiola também ensina, principalmente crianças, mas é pelos seus dotes enquanto pregador que chama a atenção da Inquisição. A Inquisição via com desconfiança a pregação por parte de pessoas que não eram ordenadas. Loiola é então atirado para a cadeia por 42 dias e uma vez liberto, proíbem-no de pregar.  Não satisfeito, Loiola vai para Paris estudar Teologia (diz a lenda que na aula de Gramática era o único aluno adulto, já que os seus colegas eram adolescentes).
 
E 1540 Inácio de Loiola funda uma nova Ordem: os Jesuítas. Recruta os melhores, os mais inteligentes e os mais dedicados para se juntarem a ele. A sua dedicação enquanto missionários fez dos Jesuítas uma das mais poderosas forças do Cristianismo, força essa que começou com uma escola na Sicília e depois se expandiu para o resto da Europa. A sua missão consistiu em reavivar a fé católica neste tempo de Reforma.
 
- o carteiro -

na calha...





























































domingo, agosto 14, 2016

sai pensamento mau, sai pensamento mau, sai pensamento mau
diz-se que o que não levaram os bárbaros, levaram os Barberini (quod non fecerunt barbari, fecerunt barberini). "fecerunt" quer dizer fazer, mas vocês percebem. Barberini era o nome de uma família romana que deu um Papa à cristandade. esta frase vem a propósito do Papa em questão não se ter coibido de mandar derreter o bronze da cúpula do wPanteão para fazer o baldaquino que se encontra em São Pedro no Vaticano. Pode-se acrescentar que aquilo que não levaram os bárbaros, nem os Barberini, levaram os franceses e os alemuães. os primeiros pela mão de Napoleão e os segundos, fazendo jus à moda do Grand Tour (iniciática para os jovens de algumas famílias mais ricas), com o seu espiírito ex
pedicionário. Levou-se de tudo: moedas, altares completos, esculturas colossais... Tenaãoo em conta a actividade terrorista do ISIS, do Boko Haram, dos Talibas e quejandos, pode dizer-se que foi bem melhor assim, embora esta observação peque por ser paternalista. Isto é o mesmo que sugerir ou afirmar uma superioridade do Ocidente face ao próximo oriente e mesmo a países como a Grécia que tem parte dos frisos do Partenon no Louvre e no Museu Britânico. Por outro lado, quando penso que em Itália, até há pouco tempo, se pensava em privatizar/vender monumentos como o Coliseu ou o David do Miguel Ângelo...
O mais curioso é saber que os alemães (pelo menos) pedem aos russos a devolução das peças que o exército soviético pilhou no final da Segunda Guerra Mundial. Ladrão que rouba ladrão...

quinta-feira, agosto 11, 2016

beluga - que foi, filhinha? estás muito jururu.
beluga - comi um hamburguer, coisa que não comia há anos. há muitos anos.
beluga - e depois?
beluga - e depois? e depois sinto-me gorda! eis a resposta ao teu "e depois?"
beluga - ó filhinha, era um hamburguer hallal. eles não comem carne vermelha. já viste algum muçulmano gordo?
beluga -  e o ketchup e a maionese?
beluga - faz de conta que também são hallal.
beluga - merda, tenho o rabo a parecer um campo de golf, cheio de buracos de celulite.
beluga - vai tomar banho que isso passa.
beluga - ainda por cima o espelho da casa de banho é tão grande.
beluga - filhinha, faz como o perseu quando foi decapitar a medusa: entra de costas.


estou com estas calças vestidas há tantas horas que quando despi-las elas vão manter-se de pé

quarta-feira, agosto 10, 2016

- original soundtrack -

isto é muito bonito





















(Mi par d'urdir ancora, Enrico Caruso, ópera "Les pêcheurs de perles" de Bizet)
- não vai mais vinho para essa mesa -

da antítese

[ouvido no comboio]
- O Camões??? Tipo, dah!... aquilo é escrita pré-histórica!!!
- ars longa, vita brevis -
hipócrates

antes e depois ou "como já estava a sentir falta dos "antes e "despoises"... pois é meus fiéis leitores, gente que vem de todo o mundo só para ler estas parvoíces: cá estamos com um "antes e depois". hoje trago-vos Príamo (não confundir com Príapo). Não percebo muito bem esta representação e vou explicar-vos porquê: segundo a mitologia grega, Príamo era rei de Tróia quando se deu a Guerra de Tróia. Para quem não sabe nem viu o filme com o Brad Pitt a fazer de um Aquiles muito másculo (ao que parece não foi sempre assim já que Aquiles numa outra passagem da sua vida teve de se vestir de mulher para escapar à morte), esta personagem participou na Guerra de Tróia que opôs gregos a troianos: os gregos queriam raptar Helena de Tróia, a mulher mais bonita da Antiguidade e os troianos queriam mantê-la. Quem venceu foram os gregos que com o célebre "Cavalo de Tróia" se infiltraram na cidade, atacaram Tróia e raptaram Helena. Aquiles ficou ferido no calcanhar (a única parte do corpo que era vulnerável). Mas antes disso, matou Heitor, filho de Príamo. Ora o que vemos nesta cena é, segundo creio, Príamo a pedir a Aquiles que libere o corpo do seu filho Heitor. O que me confunde são os timings: é que depois disto Aquiles ainda entrou dentro da cidade combateu e, aqui sim, foi ferido. Mas vamos ao que interessa: no século XIX as pessoas - e os governos - interessavam-se genuinamente pelas coisas culturais: discutia-se literatura nos periódicos, nos serões, criticavam-se os artistas, faziam-se exposições nos Salões, exposições às quais o público acorria. Sendo que as exposições nos Salões tinham o apoio das altas individualidades, era natural que vigorasse uma estética oficial. E no início do século XIX houve um gosto um bocado piroso pelo orientalismo e pelos grandes temas mitológicos, históricos e religiosos, totalmente desadequados ao seu tempo: com Nietzsche Deus tinha morrido e já ninguém acreditava em deusas e deuses da Antiguidade. Só Napoleão dava aos pintores bons motivos para os temas históricos/políticos. Mas muitos destes artistas legitimados pelos Salons foram posteriormente - e pouco posteriormente - esquecidos em detrimento da nova estética impressionista. Bom, o que interessa é que alguns modelos da Antiguidade são assim a modos que arquetípicos (sim, a palavra existe). Para além deste post, conto colocar outro que compara um relevo romano com uma pintura de Ingres. E assim acontece." 
Príamo aos pés de Aquiles
Sarcófago da Colecção Borguese
século III
Museu do Louvre, Paris

Martin Langlois
Príamo aos pés de Aquiles
1809
Escola Superior de Belas Artes, Paris
- não vai mais vinho para essa mesa -

prioridades...















- o carteiro -

quer se acredite ou não, temos de concordar: há santos muito estranhos, como santa maria egipcíaca, santa wilgefortis, São Guinefort... em Portugal também os há: mais estranhos e menos estranhos. um desses santos que protegem as vilas portuguesas e do qual se contam história jocosas é São Gonçalo de Amarante, protector, claro está, de Amarante. Toda gente sabe, e já aqui referi, as piadas, lenga-lengas e tradições em torno deste santo. Chamam-lhe casamenteiro das velhas, falam do seu "caralhinho" (desculpem) e por aí em diante. Mas há uma característica da representação de São Gonçalo de que infelizmente se fala pouco. São Gonçalo surge sempre - pelo menos que eu saiba, mas se não é sempre, devia ser - em cima de uma ponte, por vezes como que pairar sobre ela. Porquê? Não é que ele seja o protector das pontes, que não é, mas antes o protector das margens. Ora vamos lá ver se a gente se entende: imaginem um mundo parco em imagens e em informação, pobre em todos os aspectos e onde o perigo estava sempre à espreita e podia vir da mais insignificante das origens. As pontes eram de facto potenciadoras de perigo, pois ligavam o nosso lado, ao desconhecido.
 





 













Da mesma maneira que os poços eram os lugares de licenciosidade, onde as regras domésticas eram quebradas e onde homens e mulheres se encontravam (até existe aquela ideia de ir à fonte e quebrar a asa do cântaro que é no fundo uma analogia para iniciação sexual), também as pontes potenciavam o confronto com o desconhecido, confronto esse do qual algo de bom podia vir, mas que quase sempre era associado com o mal. Do outro lado da margem estava o rival, o outro. Para lá chegar era necessário entrar em outros domínios, pagar imposto, acautelar-se.
 
Nos tempos que correm, o outro está também na outra margem. Essa margem pode não ser a da ponte, pode não ser tão literal. O outro é aquele que nos quer impor as suas ideias pela força física, o outro é aquele que nos quer roubar o emprego, o outro é sempre caracterizado de forma - total ou parcial - negativa. Escrevo isto porque recordo os outros que na Segunda Guerra Mundial nos acolheram de forma a que sobrevivêssemos às várias formas de destruição. Esses outros eram sírios, egípcios e israelitas. São imagens retocadas quanto à cor (foram coloridas), mas permanecem fiéis à ideia de que os outros somos nós e que em História não há "ses". Convém por isso não esquecer a lição.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 







(vi aqui)

sexta-feira, agosto 05, 2016

ridícula

quarta-feira, agosto 03, 2016

deixar o meu emprego?

terça-feira, agosto 02, 2016

procuro (já com algum desespero) T0 ou T1
[consulta]
...
eu - Isto acontece-me mais no Verão...
psiquiatra - Você muda com o tempo? Não a sabia tão susceptível...
eu - Não, espere. Vai compreender. No Verão dou por mim a comparar-me com todas as mulheres. Altas, baixas, magras, gordas... Em todas vejo encantos que me faltam. Às vezes até entro em lojas para ver como elas são giras. Comparo-me com  todas, mas principalmente com miúdas de 19 anos. É destrutivo e cansativo. Chego ao fim do dia a achar-me uma merda embora saiba que não sou uma merda e que as pessoas não são só o físico. Desculpe por ter dito "merda", mas acho que já usamos esta palavra aqui. Os dois. Portanto estou desculpada, certo?
psiquiatra - Está desculpada. Mas não tem 19 anos....
eu - Pois não, mas penso "como é que alguém pode querer estar comigo quando há lindas miúdas de 19 anos, com tudo no sítio?".
psiquiatra - Eu acho que não há muitos homens com alguma idade a querer dar voltas com miúdas de 19 anos.
eu - Pois eu cá acho que há!
psiquiatra - Talvez, mas para relações sérias não escolhem miúdas de 19 anos.
eu - E quem é que quer ter relações sérias? Hoje toda a gente quer dar voltas. Não quero dar voltas; não sou um hamster...
psiquiatra - Ainda há pessoas que querem relações sérias.
eu - É preciso ter sorte, ter muita sorte.
psiquiatra - Muita sorte geralmente é batota.
eu - Como assim?
psiquiatra - É possível que uma pessoa tenha muita sorte uma vez. Ganhe o euromilhões uma vez, mas duas já é estranho. Também se está a ganhar sempre pequenos prémios é estranho.
eu - E em que é que isso se aplica ao que estamos a falar?
psiquiatra - A sua história nesse âmbito não é só uma questão de sorte ou de azar. Não pode dizer "ei caramba, sou uma azarada". Não. Também é um percurso que você traçou. Não quer menos do que aquilo que estipulou para si. Não quer... dar voltas. É uma escolha válida como qualquer outra e muito apreciável, na minha opinião. 

segunda-feira, agosto 01, 2016

- original soundtrack -

ouvi esta música há muitos anos, cantada pela filha, Bebel Gilberto

Este seu olhar quando encontra o meu
Fala de umas coisas
Que eu não posso acreditar
Doce é sonhar, é pensar que você
Gosta de mim como eu de você

Mas a ilusão quando se desfaz
Dói no coração de quem sonhou
Sonhou demais, ah! se eu pudesse entender
O que dizem os seus olhos

(Este seu olhar, João Gilberto)
- não vai mais vinho para essa mesa -

 


- o carteiro -

e o Homem criou Deus... (XX)
 
Como vimos, os textos de um filósofo em particular foram importantes para a formação de um novo espírito a Ocidente. Os textos eram de Aristóteles cuja lógica - lógica aristotélica - tornaram-se as bases para a alteração de pensamento, passando da contemplação interior, para a observação exterior do mundo. Um paradigma disto é o estudo sistematizado do corpo humano através de dissecações (proibidas em muitas cortes, principalmente as cristãs). Para preservar os valores cristãos, Igreja e Estado unem-se frequentemente para suprimir os avanços científicos. Mas ainda mais frequentemente unem-se para travar, na Europa, uma luta pela propriedade, pelo poder e pelas almas humanas. É isto que marca o segundo milénio do cristianismo.
 
De forma crescente, os dirigentes das nações emergentes aliam-se aos reformistas protestantes contra o poder de Roma. E não há nenhum lugar onde isto seja mais visível e exemplificativo do que em Inglaterra. Na Inglaterra do início do século XVI, Henrique VIII, um católico devoto (o Papa chega a dar-lhe o título de "Defensor da Fé") tem uma obsessão, legítima, de dar ao trono inglês um herdeiro (homem) algo que o rei não consegue alcançar com a sua esposa Catarina de Aragão. Vai daí - e como a culpa é sempre das mulheres! - toma como amante Ana Bolena e rapidamente a engravida. Em segredo, Henrique casa com Ana Bolena, mas para conseguir que a criança seja mesmo legítima, falta um pormenor: divorciar-se da primeira mulher. Só que isso naquele tempo ia contra a lei católica. Henrique apela ao Papa Clemente VII que autoriza o divórcio, mas este nega. Em resposta Henrique depõe o arcebispo da Cantuária e sugere um outro da sua confiança. O novo arcebispo declara o primeiro casamento nulo e reconhece como legítimo o casamento entre o rei e Ana Bolena. O Papa responde excomungando Henrique e Henrique responde quebrando laços com Roma e posiciona toda a Igreja sob o seu reinado, sob a sua própria supervisão, orientação e liderança. Isto marca o início do Anglicanismo.
 
Em 1534 Henrique vai mais longe pedindo a todos os súbditos que se sujeitem ao Acto de Supremacia. O Acto diz que Henrique é o governador supremo de Inglaterra, colocando-o acima das autoridades religiosas. Há outra consequência da luta de Henrique VIII com a Igreja de Roma: Thomas More, o chanceler do reino, declina o convite do monarca para estar presente no casamento do rei com Ana Bolena e recusa igualmente o Acto de Sucessão segundo o qual apenas os filhos de Henrique com Ana Bolena eram os únicos herdeiros ao trono. Henrique VIII não tem mais nada: encerra Thomas More na Torre de Londres e em 1535 ordena a sua decapitação. Como se não bastasse, Ana Bolena "falha" e não consegue dar ao rei o tal filho. Por causa disto, também ela é decapitada. 400 anos após a sua morte, Thomas More, o autor da revolucionária "Utopia", é beatificado e declarado santo pelo Papa Pio XI.

 
- ars longa, vita brevis -
Hipócrates

obras de arte estranhas... humm...
 
fui ver uma exposição de obras de arte estranhas. sim, porque eu também vou ver exposições. quase nunca, verdade seja dita. agora que trabalho em arte e com arte, nunca vi tão pouca arte. por isso os posts são mais sobre literatura (tenho sempre umas horas para ler no comboio. nada que exija muito pois com o barulho é difícil concentrar). mas lá fui eu ver essa exposição com o meu bloquinho de apontamentos, garrafa de água e o telemóvel no bolso. tirei apontamentos de quase todas as obras e só quando cheguei ao fim é que me lembrei que podia ter tirado fotografias às legendas. enfim, uma parvoíce estranha a combinar com as obras que não sendo parvoíces, são estranhas... humm...

 
 
 
Ambroise Crozat
A visão de Zacarias
1722
Museu dos Agostinhos, Toulouse
[olhos no cimo das escadas]




















Jacques-Fabien Gautier d'Agoty
Femme vue de dos, disséquée de la nuque au sacrum, dite "l'Ange anatomique"
1745
Biblioteca Nacional de França
[quimera]























Escola Francesa
Louis-Antoine de Gontaut, duque de Biron, enquanto pavão
século XVIII
Palácio de Versalhes
[o título diz tudo]
























Anónimo Flamengo
Díptico satírico
1520-1530
Colecção da Universidade de Liége
[palavras para quê]





















Ambroise Frédeau
Le bem-aventurado Guilherme de Toulouse atormentado por demónios 

1657
Museu dos Agostinhos, Toulouse
[e que demónios, credo!]




















Pierre Mignard
Les Temps coupant les aisles de l'amour
1694
[coitada da criança]




















Hans Wechtlin
L'homme blessé
1517




















François Boucher
La toilette intime
1742
[o que é que ela está a fazer? xixi para um recipiente?]
















Jacques Stella
Christ entoure de croix
XVII
[de quantas cruzes precisas?]



















Bartolome Passerotti
L'Allegorie de Cinq-Sens
XVI
[aquela mamoca era desnecessária...]




















Jean Huber
Le lever de Voltaire à Ferney
1772
[Voltaire de calças na mão]















Jean Jacque Lagrénee, le jeune
Taça em forma de seio, dito de Maria Antonieta
1788





















Escola Francesa
La Chasse à la chouétte
Século XVII
[os pássaros têm rosto de homem]
- não vai mais vinho para essa mesa -

a minha cabeça por dentro está como a da Medusa por fora

sábado, julho 30, 2016

- o carteiro -

cada um enunciará coisas pelas quais achará valer a pena viver. o Woody Allen fá-lo assim:
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Para mim, a vida vale a pena ser vivida por isto:

- beijos. na cara, na boca, com língua, sem língua... beijos.
- água (para nadar, tomar banho de mangueira...)
- "Ella giammai m'amo" do Verdi
- Os Caravaggios não mitológicos
- "A pianista" do Hanneke 
- O Eça, o Thomas Mann
- Salmão grelhado, cerejas, melancia
- pequenas atenções: girassóis, tulipas, um telefonema, um postal ...
...

sexta-feira, julho 29, 2016

os meus dias: hordas de pseudo-intelectuais, aspirantes a artistas e críticos e toda a intelligentsia porvir a dar-me ordens
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quarta-feira, julho 27, 2016

- o carteiro -

da narrativa
este não é um post sobre os estudos filosóficos do Sócrates na Sorbonne. não é sobre essas narrativas que quero falar, é sobre outras. uma narrativa é uma história, uma construção, certo? é algo que não é natural, mas preparado para produzir este ou aquele efeito. de forma um pouco naif e demodé, defendemos que "antes é que era bom", ou seja, antes não havia essa preparação, essa forma de persuasão, de manipulação. Abrimos uma revista (e falo muito por mim) e pensamos: "nunca vou ser assim". claro que nunca vou ser assim nem ninguém vai ser assim. como é possível uma mulher não ter poros ou sinais? nunca ninguém será assim pois a fotografia foi manipulada. E não, isto não é uma coisa de agora, não é uma modernice. Não, antes não era diferente. A fotografia é uma construção, desde sempre.
Vejamos os primórdios. Talvez por uma questão de afirmação num mundo onde acaba de chegar, a fotografia começa por mimetizar a pintura procurando reproduzir as poses e as temáticas. Usam-se cenários e acessórios de forma a tornar aquela imagem o mais parecida com a pintura. Esta por sua vez, olha primeiro com desconfiança para a fotografia, com desdém, até, mas descobre-lhe vantagens. Não é raro vermos fotógrafos que vão buscar à pintura a sua temática (Julia Margaret Cameron) ou pintores que se servem da fotografia para pintar. E mesmo nisto não há que menosprezar em nada a iniciativa destes pintores ou achar que estes são menores: muitos dos grandes mestres usavam a câmara escura para pintar. O Hockney explica isso bem num livro. Projectavam, através de um sistema de lentes, a realidade a pintar, de forma invertida. Se pintar de forma normal seria difícil, imaginem verem a imagem invertida!
 
Fotografia enquanto pintura
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Julia Margaret Cameron
Venus chiding Cupid and removing its wings
 
Pintores fotógrafos
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Degas
After the bath, Woman drying her back
1896
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DegasAfter the bath, Woman drying her back1896
 
Mais à frente no tempo, mas ainda num momento muito inicial da vida da fotografia, salientam-se fotógrafos pictorialistas como o Steichen ou o Stieglitz cujo trabalho procura uma aura artística embora não relacionada com a pintura, como referi há pouco. Através de desfocagem, de uso de várias lentes, de lentes riscadas ou partidas, os fotógrafos pictorialistas procuravam que a fotografia não fosse pura (fotografia pura foi de facto o nome do movimento oposto), que viesse revestida de alguma "artisticidade". Desculpem, não sei que outro nome pode substituir este... Isto não é manipulação de imagem? Claro que é? Só que não é num computador.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Steichen
The Pond—Moonlight
1904
 
Existe outro tipo de manipulação, uma outra forma de contar, de construir a narrativa que é quase insultuosa. Embora para muitas pessoas não o seja, a verdade é que o enquadramento pode fazer-nos acreditar numa ideia que não corresponde ao real. Somos manipulados e a imagem é manipulada porque retirada do seu contexto. O melhor exemplo é o dos aglomerados de pessoas: determinado ângulo na captação de imagens pode fazer-nos acreditar que a manifestação foi um sucesso ou que o comício foi um fracasso. Aliás, fazemos isso quando escolhemos cortar a fotografia em que estamos de férias com o nosso ex-namorado (é um exemplo e um exemplo que não tem nada de pessoal).

Num ensaio para a revista Life em 1951, Eugene Smith captou a vida miserável da vila espanhola Deleitosa. Esta reportagem estava inserida no Spanish Food Project de Smith. A reportagem desmente Franco quanto às condições de vida das pessoas, o seu grau de escolaridade, a liberdade, a prosperidade... Mostra uma Espanha atrasada, onde se passa fome, onde religião e política se imiscuem nas decisões mais prosaicas dos cidadãos. Mas não obstante Eugene Smith procurar - ou dizer procurar - a imagem pura, a imagem real, a verdade é que ele acaba por tomar partido e fazer uma manipulação da nossa opinião à força de querer mostrar a imagem pura. Uma fotografia que recordo de ter visto essa reportagem foi a de um velório. Nela, um grupo de mulheres chora a morte de um homem que se encontra em primeiro plano. A imagem é manipulada e manipula. Manipula pois expõe o lado é emocional, algo que não podia acontecer quando se procura a fotografia do real, a verdade. Talvez também o fotógrafo tenha sido manipulado, talvez ele tenha "deixado levar-se". Não fala de factos, mas de pessoas, de emoções. Por outro lado é manipulada devido pois Smith retocou a fotografia publicada na Life: escureceu o rosto da mulher mais à esquerda, de forma a que não se notassem os seus olhos que na realidade ficaram a fitar o fotógrafo. Ora vejam aqui.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Mas a manipulação não acaba aqui. A escolha do fotógrafo quanto à luz, o ponto de vista, a sua colocação no espaço... tudo isso faz com que se conte uma história em detrimento de outra. Senão vejamos: a fotografia é captada de um ponto mais elevado como se o fotógrafo estivesse de pé e fosse uma entidade mais avalizada que qualquer outra das almas ali presentes: como um médico, por exemplo. Mas não é só. O espaço estreita-se com aquela linha a marcar o canto em viés e com, em cantos opostos, a cabeça de uma mulher (canto superior direito) e a cabeça e parte do corpo do homem morto. Estas duas figuras truncadas parecem surgir mesmo a tempo de "fechar" a história e o enquadramento. Não cremos que exista mais espaço para além daquele que nos é mostrado, um pouco pela forma redonda e completa como a composição se desenvolve.  
Sim, é isso mesmo: toda a fotografia é construção, é narração e, em última análise, manipulação. O ângulo que o fotógrafo escolhe, o tema (para não falar em luz e até filtros, máscaras), tudo isso é uma forma de manipulação da imagem e de quem a vê. por isso beluga, lembra-te deste post quando abrires revistas e te sentires uma m**** face às mulheres que ali vês.

segunda-feira, julho 25, 2016

- não vai mais vinho para essa mesa -


quando tinha seis anos, gostei do Bernardo. O Bernardo não me ligava meia e acabou por namorar com a Carla que era minha amiga. "Namorar", dentro daquilo que é possível namorar aos seis anos.

no liceu gostei do Vasco. O Vasco, que era muito popular, não sabia que eu - que não era popular - existia.

Gostei também, mais tarde, do João. O João achava-me graça, mas estava comprometido com as drogas e o álcool.

depois o meu professor de religião e moral, também padre, levou-me para um pinhal.

em seguida emagreci muito e não tinha paciência para gostar de ninguém, especialmente de mim. obviamente, também ninguém gostava de mim.

Depois apaixonei-me pelo Rui. Mas o Rui já tinha a vida dele montada com uma namorada e bebés a caminho. eu era suplente, para as horas vagas.

Quase 8 anos depois, gostei do Zé Pedro que também não me ligava meia.

O L. foi a única pessoa que gostou de mim. Mas andávamos os dois a "tapar o sol com a peneira". foi o meu primeiro e único namorado. aos 34 anos.

Aparecem pessoas, claro, mas fico sempre a pensar que estão a brincar comigo e que se divertem à brava. imagino que para essas pessoas eu nem sequer seja um pipi, mas antes uma masturbação ao ego. e o nervosismo toma conta de mim de tal forma que acabo por me comportar como uma miúda de 10 anos que vai cantar o Frère Jacques no sarau da escola. ou acho que sou uma oferecida. ou que disse qualquer coisa de errado, ou que a minha roupa não está bem, ou que sou fria, ou que tenho alguma coisa nos dentes... enfim, dou voltas à cabeça como a aquela d'O Exorcista. 

Dizem-me que grandes paixões não fazem grandes relações, que a paixão acaba, que não é assim tão importante, nem é importante estar com alguém. eu acredito e concordo... e pur si muove...
- original soundtrack -

um clássico para cantar no banho depois da aula de ginástica e que, de resto, vai bem com a época em que estamos:














Já arranjei muito bem
Tudo quanto convém
P'ra praia levar
O pente, o espelho, o baton
E o creme muito bom
P'ra me bronzear
Tenho o meu rádio portátil
E o bikini encarnado
Também está no meu rol
E como é bom de ver
Não podia esquecer
Os meus óculos de sol


Que levo p'ra chorar
uuuuhuh
Sem ninguém ver
P'ra não dar
uuuuhuh
A perceber
P'ra ocultar
uuuuhuh
O meu sofrer
Pois eu sei que te hei-de encontrar
Talvez deitado à beira-mar
Com outra lado
E eu vou passar
A tarde a chorar

Já pensei não sair
Mas aonde é que eu hei-de ir
Com este calor?
O que é que eu hei-de fazer
P'ra não ter que te ver
Com o teu novo amor?
Ver-te-ei com certeza
Mas eu peço à tristeza
Um pouco de controle
E pelo sim pelo não
Eu vou ter sempre à mão os meus óculos de sol
...

(Natércia Barreto, Os meus óculos de Sol)
- ars longa, vita brevis -
hipócrates

olá amiguinhos, tudo bem? deixo-vos hoje um "antes e depois" literário. parece-me que isto é um antes e depois, não sei... vocês dirão de vossa justiça. o primeiro excerto é de um livro do Flaubert, "A Educação Sentimental" que o Woody Allen considera uma das coisas pelas quais vale a pena viver. O livro tem coisas maravilhosas que mais tarde irei colocar aqui no belogue e tem também estas frases que não sendo maravilhosas, me lembram outra coisa: uma passagem d' "O Primo Basílio" do Eça, que de facto foi escrito após "A Educação Sentimental". Apesar do Eça ter ido buscar muito da "Madame Bovary" do Flaubert para o seu "O Primo Basílio", e de ter ido buscar muito das "Ilusões Perdidas" do Balzac para "A Capital", não sabia que havia esta referência. Obviamente o Eça é, para mim, um nome maior da literatura "estratosférica" que não necessita de copiar nada. Mas as frases têm semelhanças. Pelo menos é o que me parece. Então vamos lá:
 
"Parecia a Frédéric, ao descer a escada, que se tinha tornado um outro homem, que a temperatura perfumada das estufas quentes o rodeava, que entrava definitivamente no mundo superior dos adultérios patrícios e das altas intrigas." (FLAUBERT, Gustave, A Educação Sentimental; Lisboa: Relógio d'Água Editores, 2008, p. 294-295)
 
"(...) e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações"(QUEIRÓS, Eça, O Primo Basílio)

Dizeindeme o que achaindes. Adeus, escobainde os dentes, dizeinde as bossas orações e beijinhos repenicados.
 
- o carteiro -

e o Homem criou Deus... (XIX)

À medida que a doutrina cristã evolui a Ocidente, o Oriente aproxima-se de um momento crucial: Constantinopla, o epicentro da cristandade está prestes a experimentar algo novo. Trata-se da invasão dos exércitos muçulmanos. De facto o poder militar a Ocidente estava a diminuir e a Igreja estava a braços com a questão protestante, tornando muito mais fácil a entrada em Constantinopla, em 1453, das tropas do sultão turco Mehmet II. Os cristãos são completamente subjugados: os que ali permanecem são taxados, convencidos a converterem-se ao Islão e proibidos de professar a sua fé. Também as igrejas são confiscadas e convertidas em mesquitas. Constantinopla, a segunda Roma, a Capital da Igreja a Oriente deixa agora de ser o coração de uma tradição religiosa, para passar a ser de outra (nesta altura o Islão tem cerca de 800 anos).

Mal a luz de Constantinopla se extingue, outra se acende a muitos quilómetros de distância em Moscovo. Agora é Moscovo que se ergue como novo centro da cristandade a Oriente. A crescer a bom ritmo, Moscovo reclama para si o título de terceira (e final) Roma. A ascensão da Igreja russa não é a única consequência da conquista muçulmana da Constantinopla cristã. Agora há também um grande número de refugiados que se desloca de Constantinopla, sendo que muitos deles se estabelecem em Itália. Entre este grande número de refugiados estão artistas, intelectuais, estudiosos que vão contribuir para o aparecimento de um dos períodos mais criativos da cristandade ocidental e civilizada: o Renascimento.

O Renascimento foi também uma época que viu serem alcançados grandes desenvolvimentos na ciência, filosofia e religião. Muito do que se descobre nestes âmbitos é o que já havia sido descoberto quase um milénio antes, mas que a Idade Média fez adormecer. Em Espanha, por exemplo, este conhecimento antigo composto, na sua maioria, por obras de autores gregos foi preservado por estudiosos muçulmanos. E aqui está uma grande ironia: as pessoas que preservaram estes escritos foram expulsas de Espanha nos anos anteriores e posteriores a 1492 (ano da expulsão definitiva dos muçulmanos da Península Ibérica pelos Reis Católicos). Foram estas pessoas, juntamente com o interesse dos monges europeus que se deslocam a Espanha para aprenderem, e o grande fluxo de pessoas que vinham de Constantinopla até Itália, que fez com que o Renascimento italiano fosse humanista e completo. A Espanha chegavam cristãos de França, da Escócia, Alemanha... para estudar filosofia, teologia e a língua árabe. Entre os trabalhos de filosofia, os de um filósofo em particular foram estudados pelos muçulmanos: Aristóteles. Aristóteles teve muita influência numa disciplina emergente e nova: a ciência. A lógica aristotélica dá aos europeus as bases para a alteração de pensamento. Passa-se da contemplação interior para a observação do mundo.
- o carteiro -

se tivesse Instagram, seria mais ou menos assim: sem Photoshop e sem encenação

[1]













palavras para quê? é um artista holandês

[2]




















Jesus ama os gays

[3]



















É ver a original soundtrack de hoje. A primeira lição de qualquer educação sentimental é usar óculos de sol.

 
- não vai mais vinho para essa mesa -

Saiu há pouco tempo na comunicação social uma notícia. aparentemente um grupo brasileiro tinha declarado fidelidade ao Estado Islâmico. Estranhei logo: declarar fidelidade a alguém ou a alguma coisa no Verão? Bem, no Brasil é Inverno. Mas há outras coisas que uma pessoa estranha: ver um grupo brasileiro declarar fidelidade ao Estado Islâmico é o mesmo que ver judeu ortodoxo sem peiot e com uma crista punk. não diz a bota com a predigota. E não me levem a mal os leitores brasileiros do belogue, mas pensei como seria esse contacto telefónico entre os dois grupos. pode estar repleto de lugares comuns, mas é obviamente uma paródia. (ler com sotaque brasileiro)
Wilson, no Brasil - Aí Estádão! Tudo legau com ocês?
... -
Wilson - Tô áqui no meu moquifo, "vendo à bandá passá". Qui nada! tô brincando com ocês! Sábi quem tá aqui? Edjnilson, meu chápa lá do trabalho. Ele tá entrando nêssi negócio dji Estado Islâmico. Fala oi pró Estadão, Edji!
Ednilson - Oi aí prá ocês!
Wilson - É isso aí Estádão! Tô ligando prácertar as coisa.
... -
Wilson - Num tá ôvindo? Ó Edjnilson!
Ednilson - Oi!?
Wilson - Fála prá Sue Hellen baixá o som do funki. Irmã cáçula, cê sábi...
... -
Wilson - Sue Hellen dji burka? Tá máluco? Minino, não tem jeito! Sue Hellen nem sábi o que é shortjinho. pássa todo djia quáse "no osso" ensaiando funki...
... -
Wilson - Ah vá, isquéci Sue Hellen! Vâmo falá da conversão do povão. A gentji, eu e Edjnilson, tâmo pensando em fazê assim um negócio djiferentji, auternatjivo, como fála ágora... Fála aí qué qui ocê acha da gentji atacá o povão, colocando Mangueira em últjimo na votação da Sapucaí?
... -
Wilson - Légau! não tem probrema não. E siá gentji aumentá o támanho da caucinha da mulheráda?
Ednilson - Ah vai!... isso não!
... -
Wilson - E se a genjti não botá dôce pô beija-flô?
... -
Wilson - Tjirá à voiz do Chico?
... -
Wilson - Pô cára... Fálei por falá. Eu gosto do Chico. E o Edjnilson também. Fála aí Edji...
Ednilson - "A coisa aqui tá preta..."
Wilson - Vâmo falá também do djia.
... -
Wilson - Cáráca! num vai dá! Tem ensaio dá báteria dos unidos da Tijuca. Cês póde ir, vai ter chopinho gélado e um ranco gostôso.
... -
Wilson - cês num bébe? pô, párece cato!
... -
Wilson - Nêssi djia também num dá. Minha mina prometeu qui nêssi djia vô entrá pela porta dos fundos!!!!
Ednilson - Vai queimá à rosca da mina!!!! 
... -
Wilson - pô... também num tem jeito. nêssi djia joga o Vasco. Ó Estadão, vâmo adjiá pró ano qui vem? Aqui no Brasiu já tem Temer, tem Zika, Olimpíada, têvi Copa e não foi légau... Vâmo deixá pró ano?

sábado, julho 23, 2016

e um dia depois, o complicómetro foi ligado.